Umas, novas, Idéias

Wednesday, January 11, 2006

LEGÍTIMA DEFESA





Otavio decidiu morrer.
Trancou-se no quarto;
Tomou um coquetel de remédios;
E pôs-se a escrever.

A medida do tempo incerto
O corpo foi desfalecendo,
A mão largou o lápis,
O lápis largou a mão.

Nos olhos acendia uma voz,
Mas o fim era já tão perto...
Que pelo crime próprio, sorria,
E quase não termina esse verso.

(encontraram seu corpo, sozinho,
Às dezenove horas em ponto.
Tinha os olhos fechados,
A boca seca e pálida
Numa dor que não mais lhe doía.)

Passional não,
Pessoal.

6 Comments:

  • At 3:20 PM, Anonymous Pamina said…

    Primeira!! rss
    Nossa...qual era o tema?! acho que desse eu participo.
    Adorei!

     
  • At 4:16 PM, Blogger ariadne said…

    Otávio, seu crime é perfeito. Sabe, não concordei com a idéia daquele teu texto impactante do se fosse Deus por um dia , apesar de reconhecer o texto como excelente.
    Já aqui eu concordo com a ideia do texto também. O que não tem a menor importancia já que o que vale é que você escreve muito .

     
  • At 4:16 PM, Blogger quina vida said…

    morreu por causas pessoais. não te interessa. pra mim, ótimo. té.

     
  • At 4:21 AM, Anonymous Cirineu said…

    Você escreve mesmo a lápis ou foi apenas porque o PC não combina com poesia?
    Ousado.

     
  • At 5:07 AM, Anonymous Moacir Caetano said…

    gostei bastante!

     
  • At 6:59 PM, Anonymous Roberta Bel Coube said…

    Ironia estar vivo "muita vez"[escreveria Machado]...Se tivesse que dizer apenas uma palavra para esse poema seria: Identificação.

     

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