Umas, novas, Idéias

Wednesday, January 04, 2006

A Metafísica do Hamburguer de Forno


Desde o início do segundo semestre do ano passado, passei a consumir, em minhas tardes na UFF, uma nova iguaria gastronômica do âmbito das promoções tão próprias ao universitário durão: O hambúrguer de forno. A receita é simples. Uma massa, digo, bastante massa, que envolve uma carne de hambúrguer semi-crua e se você der sorte um pedacinho de queijo. Bom, aí temos que fazer uma pausa para maiores explicações. No Campus da citada universidade existem dois grandes pólos produtores do Hambúrguer de forno. Um deles é o trailer da tia, onde se come um hambúrguer em que, além dos ingredientes básicos, podemos encontrar queijo chedar. O tamanho não é dos melhores, o que torna o sanduíche insatisfatório se você pretende realmente se alimentar. O outro bistrô que produz tal iguaria é o trailer do Alex. O sempre simpático gourmet nos apresenta uma receita em formatos básicos, com o acréscimo estratégico de lascas de presunto e queijo e umas folhinhas de alguma coisa verde (salsinha, cebolinha, cheiro verde, ou qualquer treco desses). Fora isso, podemos ressaltar que o seu sanduíche apresenta melhores resultados quanto ao tamanho e ao preço. No Bistrô do Alex, com o adendo do refresco de guaraná natural, o hambúrguer de forno sai por R$ 1,60 enquanto no trailer da tia, sem o dito refresco, o sanduba sai por R$ 1,50. Ou seja, a relação custo benefício e o bom senso tendem para a escolha do trailer do Alex. Pois bem, escolhido nosso objeto de estudo, partamos então para uma análise mais estrutural do formato e da degustação. Com o copo de guaraná natural providencial para ajudar a descer e para completar a sensação de estomago pavimentado, restam ainda os condimentos extras que servirão, para mais tarde, desfazer o Palace II formado em sua barriga. Temos aqui o já tradicional catchup, a misteriosa mostarda, la maionese e o molhinho de alho (recomendado apenas para dias onde não haja previsão de quedas mortais). A arte de misturar os condimentos, aliada a mais pura forma de degustar o portentoso sanduíche, caminham juntas quando pensamos porque comemos essas tralhas na rua. Com os toques pessoais certos e as goladas calculadas para que no fim ainda reste ao menos um pouco de guaraná natural, o hambúrguer desce de forma agradável e dependendo do dia até dá pra comer mais de um. O quiosque do Alex ainda nos contempla com outras raras iguarias, como a bolinha de queijo e presunto e o magnífico quibe com catupiry, mas a presença sustentável e condizente ao bolso vazio do universitário durão, só está inerente ao hambúrguer de forno. É nele que podemos confiar para ‘enganar’ o estomago durante horas com o mínimo de gastos. Ganhar dessa proporção, vulgo bate-entope, só mesmo o bandejão da UFF, mas isso é outra (e mais dolorosa) história.

2 Comments:

  • At 3:13 PM, Blogger Annie said…

    Caramba, Otavio! Você não me imagina a saudade (e a fome) que me bateu dessas porcarias que só se encontram no Brasil. A culinária européia é pomposa, mas uma droga!

    Na minha última visita ao Brasil tive que ir ao centro da cidade com meu pai para resolver umas coisas. Na hora do almoco, ele me perguntou onde eu gostaria de comer. Minha resposta? Clara e imediata: "Salgadinho com suco de morango ao leite!" Paramos então no botequim mais próximo e degustei um enroladinho de queijo e presunto com a maior das satisfacões! Muito melhor que o caviar daqui :0) E ainda lambi a ponta dos dedos!

    Rapaz, não vejo a hora de chegar logo ao Brasil para me encher dessas porcarias de novo!

    E essas duas semanas que custam a passar...

    Beijocas,
    Annie

     
  • At 5:53 PM, Blogger Marlon Magno said…

    Blasfemo! O hamburguer de forno da tia é imbatível! Só lá temos a oportunidade de saborear a deliciosa maionese caseira com alho que, convenhamos, é o charme do dito "acepipe". Quanto ao tamanho, o hamburguer do Alex apenas posa de baiacu, não engana um universitário durão feito eu.

    E dizer que você faz mestrado...

     

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