Umas, novas, Idéias

Sunday, October 15, 2006

De volta ao front

Quem inventou essa guerra?
Não sei, mas lute!
Quando criança gostava de criar histórias de guerras e magia para os soldadinhos que tinha. Eles ganhvam vida e transformavam meu quarto e o quintal em um universo totalmente deslocado da realidade em que eu vivia. Quando pequenos não percebemos muitas coisas que ocorrem ao nosso redor, não por falta de inteligência, mas pela insistente premissa dos adultos em nos tratar como débeis mentais. Assim minha criatividade insana me transportava para guerras nunca vistas entre os soldadinhos verdes e os soldadinhos azuis. Meu primo me dizia que havia uma diferença nas cores. Cada uma delas representava um exercito diferente. Na sua teoria os verdes eram os norte-americanos, os azuis os alemães, os beges eram orientais... e assim por diante. Para mim, as cores definiam não nacionalidades e raças, mas objetivos em comum. Cada um defendia suas cores, seus companheiros e as guerras sempre acabavam com um saldo interessante: a possibilidade de destruir aquele mundo e fazer surgir outro com a velocidade do pensamento. Meus soldadinhos expunham armas e táticas incrivelmente bem postadas pelos beiras da cama e pelas bordas do criado mudo. Lembro bem de uma vez em que propus uma super e derradeira guerra entre diferentes tipos de bonecos. Eram quatro fortes exercitos: o dos soldadinhos; o dos Playmobills; o dos bonecos do He-man e o dos bonecos do Rambo. Com a astúcia e a calma sempre estampada nos rostos, os Playmobills venceram o conflito após saquearem as bases do he-man e do rambo, tomar navios e armas potentes e derrotar belicamente os soldadinhos. Instauraram uma nova Dinastia. Tudo isso que disse foi apenas uma forma de demonstrar um pouco dessa loucura que é a imaginação. É interessante perceber como desenvolvemos tantas histórias e brincadeiras quando crianças e como deixamos que isso se perca com o passar dos anos. Não acredito nessa coisa de geração videogame, geração internet. São desculpas. Quando passamos a nos preocupar desde cedo com coisas que mais coibem do que instigam, perdemos a vontade de criar e passamos a tentar repetir meios e fórmulas que já deram 'certo'. A infância, hoje, é um mero prefácio mal acabado pra uma adolescência precoce e uma juventude bitolada. Não é uma regra, mas é assustador perceber como milhares de 'pequenas' pessoas vão cada vez se tentando se tornar mais espertos, o quanto antes e esquecendo importantes partes de sua formação enquanto gente. As pessoas que um dia imaginaram qualquer coisa pra fugir de um lugar comum, agora encontram um espaço vazio enorme quando descobrem que são poucos os que fizeram como elas. A realidade é uma invenção que nos é imposta e que aceitamos, imaginar outras realidades é subverter a imposição. quando simplesmente somamos, na verdade subtraimos. o que eu quero é dividir. Hoje, encontro minha caixa de brinquedos antigos e reencontro meus soldadinhos quebrados, com seus corpos de plástico ressecados e gastos pelo, mas ainda posso vê-los, com toda disposição, rolando pelos campos abertos e pelos fronts de lençois embolados, simulando montanhas, atirando contra um inimigo que desde sempre me atinge e se chama tédio.

7 Comments:

  • At 7:04 PM, Anonymous tatiana said…

    Pirlimp-otavice.
    (Ah, a maravilhosamil beleza do tédio...).

     
  • At 12:01 PM, Anonymous ivan cb said…

    "nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto", nem o gosto das pequenas guerras que a gente trava contra o mundo.

     
  • At 6:36 AM, Blogger Otavio Meloni said…

    Ivan, sempre chegando na medida das coisas... deus salve os japoneses e as fábricas de Montilla.

     
  • At 5:13 AM, Blogger Máximo Heleno Lustosa da Costa said…

    desculpe a pobreza de raciocínio, mas tenho sentido falta das crianças que jogavam bola no meio da rua, dos piques... acho que cada vez mais, estamos virando peças. alguns sintomas da sociedade me assustam. por exemplo: os doutores de 25 anos, os eternos pesquisadores, a automatização do pensamento.

    acho estranho, é claro. mas, não tenho como prever o resultado desta multação. talvez, nos tornemos mais frios, pois distantes e, ainda assim, mais dependentes das poucos pessoas que nos "cativarem"...

    talvez, montemos uma "releitura" para o eremita... talvez.

    abc e tmj.

     
  • At 7:58 AM, Blogger Máximo Heleno Lustosa da Costa said…

    hahaha, "multação" é muito bom!!! o que será que eu quis dizer com isso!!!?? ahahaha. eu quis dizer mutação, meu nobre. foi mal!! rs

     
  • At 8:57 PM, Blogger Otavio Meloni said…

    nobre Max, Entendenmos o seu 'multação' e suas saudades de coisas que foram mutiladas da nossa vida, por que não se trata de uma questão de esqucimento, mas simplismente de mutilação mesmo... é bom ver o velhos amigos por aqui e é bom saber que essas coisas que vc listou não assustam só a mim, mas a outras pessoas que primam por ver as coisas para além de um simples olhar... grande abraço e tamj.

     
  • At 8:57 PM, Blogger Otavio Meloni said…

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