Umas, novas, Idéias

Saturday, June 03, 2006

Se Leonardo da Vinci, Por que que eu não posso dar dois?


Lênin acordou durante a noite incomodado com algo que arranhava sua boca. Se levantou, foi até o banheiro e olhou fixamente para o espelho. Reparou então que havia um pequeno pentelho entre seus dentes inferiores. Muito preto e crespo, não deixou nenhuma dúvida: era mesmo de Trotsky. Após usar seu fio dental do Hello Kitty, o jovem ditador sanguinário pegou o telefone vermelho do Kremlin e deu a ordem. Fez-se a revolução.
Picasso e Frida Kallo provavelmente nunca se encontraram, mas Dali esteve umas muitas vezes na casa do francês e os dois trocaram algumas figurinhas. O surrealismo formou-se nas bases da loucura criativa e na liberdade de idéias e expressão. Picasso, eternizado nas piadas infames e nos trocadilhos embaraçosos, produziu uma obra tão grande que é bem capaz de ainda hoje encontrarmos telas inéditas do mulherengo narigudo. Já Dali presenteou-nos com os mais belos devaneios plásticos da arte contemporânea. Seu bigode espetado e cuidadosamente moldado sempre vem na lembrança quando imaginamos o cara que pintou aquelas loucuras. O cubista encubou a razão em figuras formas geométricas. O surrealista cagou pras formas. Os dois foram grandes e nem por isso acordaram no meio da noite com um pentelho de Trotsky entre os dentes inferiores.
Marx e Engels de fato tiveram uma relação muito baseada na amizade e na convergência de pensamento. No intervalo entre uma meinha e outra, formularam as terias sociais e econômicas mais pertinentes de nossos tempos. Fizeram assim uma revolução na construção do pensamento de toda uma época. Marx tinha uma barba enorme e bem cheia que devia incomodar um pouco o cangote de Engels. O fato é que o cafetão de Marx assinava suas obras com ele e assim fornecia para o mundo uma nova versão de duplas consagradas mundialmente como Cristo e Judas, Tarcisio e Gloria, Senna e Proust, Roberto e Erasmo, John e Paul e Chitãozinho e Chororó, por exemplo. Engels deve ter acordado várias vezes com um pentelho preso entre os dentes, mas certamente, nenhum de Trotsky.
Trotsky fugiu para o norte, diziam os jornais. Todos buscam a liberdade e com ele não seria diferente. Trotsky traiu a revolução, falavam os alcoviteiros nas tecelagens russas. O único que resolveu pensar antes de agir foi caçado de forma assombrosa até ser morto num quarto de hotel. Poderíamos jogar uma pombinha branca pela janela a pregar as ignorantes idéias de paz e liberdade, mas as coisas não são assim. A pomba resolveu cagar na cabeça do condenado. Somos livres apenas na crença de sê-lo. Seguimos normas e regras já tão fixadas em nossa sociedade, que acreditamos fazer o que queremos, quando na verdade agimos de acordo com o estabelecido. Lênin nunca deve ter encontrado um pentelho de Trotsky nos dentes inferiores, mas a escrita me permite dizer que sim. Livre nestas linhas vou seguindo minhas estórias. Aliás, já contei aquela do dia em que o Papa encontrou com Lampião no vaticano???

4 Comments:

  • At 6:51 PM, Blogger Pamina said…

    Deliciosamente non sense...

     
  • At 4:08 PM, Blogger Drosofila said…

    Muuuito bom. Só um detalhe: Xororó é com X. Mas você é livre pra escrever até com Sh, se quiser. AHUaHUAhuAUH!

     
  • At 3:47 AM, Blogger ariadne said…

    Faltou só a picareta, morto num quarto de hotel com uma picareta... e sangrou por horas.

     
  • At 6:46 AM, Blogger Fabiano Morais said…

    caralho, muito bom. me lembrou o nataniel jebão, só que pior, é claro. há um erro no terceiro parágrafo: "terias", em vez de "teorias". por sinal, encaminhei o seu conto para o meu gmail e lerei oportunamente. forte abraço e tâmujunto!

     

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